Jonas tem um ano. Nasceu com metade do coração o lado direito não se formou.
A mãe levou ele pra casa achando que estava tudo bem. Foi em casa que ela notou o cansaço pra mamar, o suor na cabecinha, a boquinha roxa. Com três semanas correu pro atendimento, e não voltou.
Foram sete meses sem voltar para casa. Nesse tempo o coraçãozinho parou uma vez, e o pouco tempo deixou a marca que ele tem no rostinho hoje. Ele operou o coração, aguentou, e só então a mãe pôde levar ele pra casa.
QUERO CONTRIBUIR
Faltam duas operações. A próxima só acontece quando Jonas estiver mais forte e com mais peso e é aí que trava.
De tanto tempo respirando por aparelho, ele não aprendeu a comer pela boca. Com um ano não senta sozinho, não engatinha, e come tão pouco que quase não ganha peso. O doutor pediu fono e fisio toda semana, começando agora. É o que abre a janela da próxima operação.
O nome dele está na fila da rede pública há meses. Ninguém chamou. Particular a mãe não consegue: ela cuida do Jonas sozinha o dia inteiro e parou de trabalhar. Moram num quartinho de favor, e os outros dois filhos ficaram na casa dos avós porque ali não cabe todo mundo.
Jonas chegou até aqui inteiro. A mãe segurou até aqui. O que vem agora não dá pra segurar sozinha.